quarta-feira, 26 de julho de 2017

Especial Revoluções: russa, coreana e cubana.

- A revolução russa
Operários na Revolução Russa

Ser negro na União Soviética e nos Estados Unidos: uma comparação histórica: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2014/11/ser-negro-na-uniao-sovietica-e-nos.html

Por que a União Soviética tem imagem positiva na Rússia atual?: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/01/porque-uniao-sovietica-tem-imagem.html

Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito:http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/02/gulagsovietico-uma-analise-historica.html

70 anos da derrota do nazifascismo: o papel esquecido da União Soviética e os sentidos da Segunda Guerra: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/05/70-anos-da-derrota-do-nazifascismo-o.html

Socialismo balanços e perspectivas:http://pcb.org.br/portal/docs1/texto7.pdf

Marx, Cristóvão Colombo e a revolução de Outubro:http://fmauriciograbois.org.br/portal/revista.int.php?id_sessao=50&id_publicacao=208&id_indice=1741

Dimitrov e a dissolução da III Internacional:http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=193%3Adimitrov-e-a-dissolucao-da-iii-internacional&catid=8%3Abiblioteca-comunista

A restauração do capitalismo nos países do socialismo real pela ótica dos "nativos": http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2010/12/restauracao-do-capitalismo-nos-paises.html

O Significado Histórico da Revolução de Outubro:http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/4_Losurdo.pdf

Lenin e a Revolução: http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=554%3Alenin-e-a-revolucao-entrevista-de-jean-salem-ao-avante&catid=5%3Aentrevistas-com-a-historia

O Significado Histórico da Revolução de Outubro II:http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=317%3Alosurdo-e-o-significado-de-outubro-parte-ii&catid=2%3Aartigos

O Significado Histórico da Revolução de Outubro III:https://drive.google.com/file/d/0B4lCzeBu2ocTMGEyODQ2YTQtOGU1Ni00MWUxLWJmMzMtNWFlNWY3YmJmMjgy/view?ddrp=1&pli=1&hl=pt_BR#

O Significado da Revolução Socialista de Outubro nos Destinos Históricos da URSS:https://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/04/significado.htm

Para a crítica da categoria de totalitarismo:https://drive.google.com/file/d/0B4lCzeBu2ocTZWQxZTBlMGQtNTBkZC00YjNhLWE4YzItYTJhOWMzZmE5ZWVi/view?ddrp=1&hl=pt_BR#

O socialismo foi traído:http://www.hist-socialismo.com/docs/OSocialismofoitraido.pdf

As mulheres no socialismo: avanços e impasses:http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=676&id_coluna=10

A Internacional Comunista e a questão racial (parte I e II): http://grabois.org.br/portal/revista.int.php?id_sessao=21&id_publicacao=5724&id_indice=4468
http://www.pagina13.org.br/historia-humanidades/a-internacional-comunista-e-a-questao-racial-2a-parte/#.Vbv0ZrNViko

Tese Sobre a Questão Negra - 4º Congresso da Internacional Comunista: https://www.marxists.org/portugues/tematica/1922/11/30.htm

O socialismo funciona?: http://boradiscutir.blogspot.com.br/2014/12/uma-economia-socialista-funciona.html

O verdadeiro terror de Stálin: http://choldraboldra.blogspot.com.br/2001/06/o-verdadeiro-terror-de-stalin.html

O colapso da União Soviética reconsiderado: http://choldraboldra.blogspot.com.br/2014/05/o-colapso-da-uniao-sovietica-revisitado.html

A Revolução Russa e o Movimento Negro Norte-Americano: https://www.marxists.org/portugues/cannon/1959/05/08.htm

Contra a segunda destruição da URSS: http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/comentario50comentario50.pdf

O Estado de Bem-Estar Ocidental: Ascensão e Queda do Bloco Soviético: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=4504%3Ao-estado-de-bem-estar-ocidental-ascensao-e-queda-do-bloco-sovietico&catid=117%3Aoutras-opinioes

Nos 70 anos da Vitória de 1945:http://pcb.org.br/portal2/8195

O pacto de não agressão germano-soviético: a história fora do mito: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2016/02/o-pacto-de-nao-agressao-germano.html



 - A revolução coreana

Sobre a questão da fome na Coréia do Norte: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/02/sobre-questao-da-fome-na-coreia-do-norte.html

A Coréia do Norte, as notícias sobre o país e o racismo: http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/05/a-coreia-do-norte-as-noticias-sobre-o.html

Sobre a polêmica em torno do filme "A Entrevista":http://www.diarioliberdade.org/mundo/batalha-de-ideias/53364-sobre-a-polêmica-em-torno-do-filme-a-entrevista.html

Luciana Genro e a Coréia do Norte: reprodução do senso comum e eleitoralismo de "esquerda": http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/05/luciana-genro-e-coreia-do-norte.html

Que vi quando visitei a Coreia do Norte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/05/minha-viagem-coreia-do-norte.html

Kim Jong-un: http://blogdaboitempo.com.br/2013/04/17/kim-jong-un/

a discreta transição da Coreia do norte - diplomacia de risco e modernização sem reforma:http://scielo.br/pdf/rbpi/v57n2/0034-7329-rbpi-57-02-00176.pdf

Realismo socialista na Coréia do Norte:http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/realismo-socialista-contemporaneo-na-coreia-do-norte/

O que, finalmente, quer a Coreia do Norte?: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/04/o-que-quer-a-coreia-do-norte.html

El enigma de Corea del Norte:https://www.youtube.com/watch?v=12rB7k8iA3A

Dez Dias na Coreia do Norte:https://www.youtube.com/watch?v=f_oLFoYvYQY

Videoentrevista: Ex-embaixador do Brasil na Coréia do Norte: https://www.youtube.com/watch?v=OK2_JvZhFj4
https://www.youtube.com/watch?v=9OZ48Bj6kRI

La democracia popular de Coreia del Norte: http://depyongyangalahabana.blogspot.com.br/2014/05/la-democracia-popular-de-corea-del-norte.html

A Revolução Coreana - Paulo Visentini:https://www.youtube.com/watch?v=5gg6BN8Ngrg

Coréia do Norte: entre a guerra, a paz e o futuro:http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5878%3Acoreia-do-norte-entre-a-guerra-a-paz-e-o-futuro&catid=25%3Anotas-politicas-do-pcb

revela los 'trucos' económicos de Corea del Norte para resistir las sanciones: http://actualidad.rt.com/actualidad/164716-exclusivo-rt-corea-norte-economia-sanciones

Coreia Popular: O que é a Política Songun?: http://www.novacultura.info/#!Coreia-Popular-O-que-é-a-Política-Songun/c216e/5570ea5c0cf2e4994fb033d1

Coreia Popular inaugura novas instalações de cooperativa agrícola: http://solidariedadecoreiapopular.blogspot.com.br/2015/07/coreia-popular-inaugura-novas-instalacoes-cooperativa-agricola.html




- Revolução cubana



Cuba, a ilha da saúde: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/23324/cuba+a+ilha+da+saude.shtml

Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe, diz estudo: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28769/cuba+e+o+melhor+pais+da+america+latina+para+ser+mae+diz+estudo+.shtml

Banco Mundial diz que Cuba tem o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/37709/banco+mundial+diz+que+cuba+tem+o+melhor+sistema+educativo+da+america+latina+e+do+caribe.shtml

UNICEF confirma: Cuba tem 0% de desnutrição infantil: http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FInternacional%2FUNICEF-confirma-Cuba-tem-0-de-desnutricao-infantil%0D%0A%2F6%2F15433

Pela primeira vez em Cuba, transexual é eleito para cargo público: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/25497/pela+primeira+vez+em+cuba+transexual+e+eleito+para+cargo+publico.shtml

Sobre homofobia, Fidel sempre assumiu responsabilidades, diz Mariela Castro: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/26925/sobre+homofobia+fidel+sempre+assumiu+responsabilidades+diz+mariela+castro.shtml

"PC era reflexo da sociedade cubana: machista e homofóbico", diz filha de Raúl: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/26926/pc+era+reflexo+da+sociedade+cubana+machista+e+homofobico+diz+filha+de+raul.shtml
Governo cubano diz que impacto de embargo econômico superou US$ 1,1 trilhão: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/37788/governo+cubano+diz+que+impacto+de+embargo+economico+superou+us$+11+trilhao.shtm#

Democracia e sistema político em Cuba: 
Fatos, não. Palavras! Os Direitos Humanos em Cuba: https://www.youtube.com/watch?v=eiWXhanvyY0

50 verdades sobre a morte de dois dissidentes cubanos: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/30904/50+verdades+sobre+a+morte+de+dois+dissidentes+cubanos.shtml
O sistema político em Cuba: uma democracia autêntica: http://www.brasildefato.com.br/node/12087
O PODER DA COMUNIDADE:https://www.youtube.com/watch?v=rr70FVoAXBo

Ex-agente duplo conta como a CIA promove ‘guerras não violentas’ para implodir governos:http://www.sul21.com.br/jornal/ex-agente-duplo-conta-como-a-cia-promove-guerras-nao-violentas-para-implodir-governos/

50 verdades sobre a Revolução Cubana: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/31216/50+verdades+sobre+a+revolucao+cubana.shtml

Cuba é uma ditadura?: http://www.cartamaior.com.br/?%2FOpiniao%2FCuba-e-uma-ditadura-%2F22553

A democracia em Cuba: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142011000200003&script=sci_arttext

A economia cubana: experiências e perspectivas (1989-2010): http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142011000200004

Mudanças na economia de Cuba e a atualização do modelo socialista: 
O novo modelo cubano continua sendo socialista:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/31483/o+novo+modelo+cubano+continua+sendo+socialista.shtml

Proyecto de Lineamientos de la política económica y social: http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/11/09/descargue-en-cubadebate-el-proyecto-de-lineamientos-de-la-politica-economica-y-social-del-pcc/#.Vm3fC9IrLIU

Más de 400 compañías han manifestado su interés en invertir en la Zona Especial de Desarrollo Mariel:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/12/12/mas-de-400-companias-han-manifestado-su-interes-en-invertir-en-la-zona-especial-de-desarrollo-mariel-fotos-y-videos/#.Vm3f0dIrLIU

El socialismo es ahora: http://www.cubadebate.cu/opinion/2015/10/05/el-socialismo-es-ahora/#.Vm3f3NIrLIU

Mariel: Umbral del Futuro:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/09/30/mariel-umbral-del-futuro/#.Vm3f6NIrLIU

¿Viviendas por cuenta propia?:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/09/10/viviendas-por-cuenta-propia/#.Vm3f5tIrLIU

Raúl Castro: Se ha revertido la tendencia a la desaceleración de la economía cubana:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/07/15/raul-castro-se-ha-revertido-la-tendencia-a-la-desaceleracion-de-la-economia-cubana-fotos-y-video/#.Vm3f6tIrLIU

Cuba y los primeros pasos de las reformas estructurales: http://www.cubadebate.cu/opinion/2015/06/27/cuba-y-los-primeros-pasos-de-las-reformas-estructurales/#.Vm3gKtIrLIU

Solo el 5 por ciento de los trabajadores del sector no estatal han recibido créditos:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/06/15/solo-el-5-por-ciento-de-los-trabajadores-del-sector-no-estatal-han-recibido-creditos/#.Vm3gJdIrLIU

Cuba: Ley de empresas entraría en vigor en 2017:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/06/09/cuba-ley-de-empresas-entraria-en-escena-en-2017/#.Vm3gKtIrLIU

Más de medio millón de trabajadores están vinculados al sector no estatal cubano:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/06/14/mas-de-medio-millon-de-trabajadores-estan-vinculados-al-sector-no-estatal-cubano/#.Vm3ggtIrLIU

¿Despega la industria manufacturera en Cuba?:http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/04/27/despega-la-industria-manofacturera-en-cuba/#.Vm3jN9IrLIU

Subraya Díaz-Canel importancia de Empresa Estatal Socialista: www.cubadebate.cu/noticias/2015/05/09/subraya-diaz-canel-importancia-de-empresa-estatal-socialista/#.Vm3jN9IrLIU

Banca en Cuba: Créditos sin demanda:http://www.cubadebate.cu/especiales/2015/05/13/banca-en-cuba-creditos-sin-demanda/#.Vm3jNtIrLIU

Nuevas políticas para la vivienda: elementos principales: http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/01/22/nuevas-politicas-para-la-vivienda-elementos-principales/#.Vm3jWdIrLIU

Emily Morris: Cuba ha demostrado que la economía socialista es posible: http://www.cubadebate.cu/noticias/2014/11/24/emily-morris/#.Vm3jhtIrLIU

José Luis Rodríguez: “Cuba no se está proponiendo un socialismo de mercado”:http://www.cubadebate.cu/noticias/2014/11/22/jose-luis-rodriguez-cuba-no-se-esta-proponiendo-un-socialismo-de-mercado/#.Vm3jl9IrLIU

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A posição dos comunistas frente a condenação de Lula!

PCB REPUDIA CONDENAÇÃO DE LULA E POLÍTICA PETISTA DE CONCILIAÇÃO DE CLASSE


A condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo reacionário juiz Sérgio Moro, divulgada em 12/07/2017, expressa uma evidente parcialidade jurídica através da espetacularização midiática, uma clara negação de princípios elementares do direito e um plano de criminalização deliberada das lideranças petistas, que perderam o apoio do grande capital, seu principal aliado no período em que estiveram à frente do governo federal.

A condenação de Lula ocorre no dia seguinte à aprovação, pelo Senado Federal, da contrarreforma trabalhista, o mais brutal ataque aos direitos da classe trabalhadora nos últimos tempos. A iniciativa do Juiz Moro, amplamente anunciada nos meios de comunicação burgueses, parece querer retirar de foco as investidas do governo e dos capitalistas contra os trabalhadores, a juventude e os setores populares.
No mesmo dia em que Lula foi condenado, Geddel Vieira Lima, braço direito de Temer, foi conduzido para prisão domiciliar, Aécio Neves continua livre e atuando no Senado, e Michel Temer ainda consegue arregimentar apoios no Congresso Nacional, tentando evitar, a qualquer preço, sua queda. As operações de combate à corrupção comandadas pela Polícia Federal e por setores do Judiciário, em especial a Operação Lava Jato, demonstram haver um direcionamento político, de cunho abertamente reacionário. O alvo das operações não é o poder econômico corruptor. Os acordos de leniência e as insignificantes multas impostas às grandes empresas envolvidas, diante do orçamento destas, comprovam que o intuito das operações não é o de combater a raiz econômica das relações promíscuas entre empresários e as diversas frações do Estado Burguês. Nem poderia ser assim. A Justiça burguesa age, no fundamental, para manter a ordem presidida pelo capital. E a corrupção é prática endêmica ao capitalismo.
Até agora, o principal “crime” já provado do ex-presidente Lula, do ponto de vista político e dos interesses da classe trabalhadora, foi a decisão de governar com o programa e os métodos da burguesia. A conciliação petista foi fundamental para o fortalecimento de monopólios nacionais e internacionais, do agronegócio e do sistema financeiro. Lula e demais lideranças petistas atuaram como verdadeiros serviçais lobistas para a expansão dos negócios de capitalistas nacionais na América Latina e na África. Essa opção política do PT implicou no abandono das bandeiras históricas da esquerda brasileira, como a reforma agrária, a centralidade da luta de massas, o respeito à democracia de base, o fortalecimento da educação e da saúde públicas, assim como a luta contra as privatizações e pela soberania nacional. Para fazer valer o programa voltado a aprofundar o capitalismo monopolista no Brasil, os governos petistas adotaram papel apassivador dos sindicatos e movimentos populares, além de se envolverem profundamente com toda lama da corrupção intrínseca à democracia burguesa.
Portanto, ao mesmo tempo em que o PCB repudia a condenação jurídica do ex-presidente Lula, destaca fortemente o fato de que o líder petista está sendo mais uma das vítimas de um processo de avanço do conservadorismo e fortalecimento da direita que têm íntima relação com a decisão do PT em priorizar as alianças com o grande capital e o cretinismo parlamentar.
Na atual conjuntura, marcada pela crise econômica e as disputas no interior do Estado, a burguesia realiza uma verdadeira tática de guerra contra os trabalhadores. A fim de manter os seus lucros, atrair investimentos internacionais e manter a economia brasileira subordinada aos centros imperialistas, a burguesia brasileira adota um programa de retirada de direitos trabalhistas, sociais e políticos dos trabalhadores. Para grande parte dos capitalistas, não mais interessa a política de conciliação, e a ação desenvolvida pelo capital é no sentido de arrancar à força um novo patamar de reprodução do sistema, visando à retomada do crescimento econômico com base na brutal desvalorização da força de trabalho, por meio da destruição de direitos sociais e trabalhistas. Por isso, sem dúvida, a perspectiva da conciliação de classes representada por Lula e o PT é uma perspectiva ultrapassada e uma falsa alternativa para a luta dos trabalhadores. O próprio Lula, dias antes a sua condenação, dava declarações segundo as quais, caso eleito em 2018, não iria anular as reformas impostas pelo governo golpista de Temer.
Reforçamos, então, a necessidade de fazer avançar a luta e a organização popular desde já, para além da perspectiva eleitoral. O que vai determinar a anulação da reforma trabalhista, o impedimento da aprovação da reforma da previdência e a garantia dos direitos democráticos dos trabalhadores é a pressão e a organização dos movimentos dos trabalhadores e da juventude. Neste sentido, o PCB continuará reforçando as manifestações, frentes e iniciativas unitárias que, realmente, se contraponham aos ataques e ao programa de retrocessos da burguesia brasileira.
Pela reorganização da classe trabalhadora, sem conciliação!
Pela derrubada do governo golpista, com anulação das contrarreformas!
Pelo Poder Popular e o Socialismo!

Fonte original: https://pcb.org.br/portal2/15039

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Isto é “teoria da conspiração”: ensaio sociológico sobre o arrogante ingênuo

Advertência: esse texto contém um tom excessivamente irritado e agressivo e no limite pode ser considerado "arrogante". Esse tom é totalmente proposital e julgo ser necessário nesse tema para os "alvos" que quero atingir





Recentemente o Opera Mundi publicou um texto de autoria de Pablo Pozzi [1] que descreve o papel da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na guerra cultural antimarxista e pró-imperialista operada na França. O texto, fartamente documentado com fundamento em documentos recentes que o próprio Governo dos EUA liberou devido a lei de informação do país, mostra como a CIA apostou no fortalecimento da direita, especialmente os “Novos Filósofos”, e nos pensadores chamados de “pós-marxistas”, como Foucault, Derrida e Lacan, na destruição de uma suposta hegemonia do marxismo e da perspectiva anti-imperialista na cultura francesa do pós Segunda Guerra Mundial – não vamos, no âmbito desse texto, debater se essa hegemonia existia ou não.

Depois da publicação do texto, um jornalista carioca [de esquerda] que é uma espécie de subcelebridade na internet, notadamente no Facebook (não citarei nome porque esse tipo de “pensador” não merece divulgação), publica uma “crítica” a matéria onde, ignorando olimpicamente todos os argumentos e fontes do autor, taxa o escrito de “teoria da conspiração”. O nosso jornalista “moderno” não liga mais para o “tradicional” debate sobre a importância de conferir as fontes na construção de uma narrativa e com uma arrogância que só a adolescência não superada ou a estupidez pode propiciar, etiqueta como “loucos” e “conspirativos” os que acreditaram na matéria.

Pessoas que acreditam na capacidade do ser humano tentaram alertar que a matéria estava citando documentos diretos da própria CIA e que não era possível dizer que apontar o papel da CIA na disputa e conformação da cultura francesa e mundial é “teoria da conspiração” se temos documentos primários da própria agência como prova. Inútil. O nosso jornalista continuou afirmando que essa “estória” não passa de mera teoria da conspiração e com habilidades historiográficas dignas de um “historiador” à la Laurentino Gomes ou Eduardo Bueno, passou a especular sobre como as “teorias da conspiração” casam com perspectivas de um “sujeito oculto na história”, quase o espírito absoluto hegeliano.

Esse exemplo de nosso colega jornalista com alergia às fontes me fez perceber como é comum se afirmar que “isso é teoria da conspiração” quando falamos da política cultural da CIA nos diversos países do mundo, da participação dos EUA na desestabilização de governos e projetos políticos (como a situação atual na Venezuela) ou quando mostramos a ligação de determinadas ONG’s, como a queridinha Human Rights Watch, com a dominação imperialista global. Não importa quantas provas ou exemplos históricos se levante para sustentar a tese, o “argumento” do “isso não passa de teoria da conspiração” é uma espécie de barreira na capacidade lógica do cérebro humano, quase um bug do milênio no raciocínio do sujeito. Vejamos mais de perto essa ideia.

A noção de teoria da conspiração considera, corretamente, diga-se de passagem, que temos que analisar a realidade com base nas provas, dados, indícios e tendências disponíveis e não projetar cenários falsos ou especular sem provas procurando nexos onde simplesmente não existe. Exemplo clássico de uma teoria da conspiração é a ideia de uma “conspiração global” dirigida pelos Illuminati (que, não esqueça, mataram 2Pac Shakur) com vistas a dominar o mundo ou as sempre lucrativas histórias de segredos fundamentais guardadas pela Ordem dos Cavaleiros Templários (a turma do “Santo Graal”). Além de render muito dinheiro para revistas de qualidade duvidosa, views no Youtube e assunto para o History Channel, essas histórias não tem qualquer base factual e não passam realmente de teoria da conspiração sem qualquer contribuição à compreensão do mundo que vivemos.

Agora vamos trabalhar com outro exemplo: a política cultural da CIA. A Agência foi criada como um aparelho do imperialismo para garantir sua dominação global atuando na luta de classe em escala geopolítica e em cada país particular buscando garantir o interesse dos monopólios estadunidenses (e consequentemente da ordem do capital) e combatendo qualquer tipo de projeto com traços de radicalismo político: nacionalista, comunista, nacional-popular etc. A CIA bem cedo percebeu que a guerra de classe não se faz apenas com violência – isso sem ler Gramsci! – e que é necessário manter a produção cultural e intelectual sempre dentro dos limites da ordem estabelecida. Para fazê-lo, além de operar o assassinato de intelectuais e líderes políticos, planejar e executar golpes de estados, devastar universidades e efetuar guerras econômicas, é necessário financiar intelectuais, universidades, revistas, jornais; projetar universidades e programas de pós-graduação; ajudar a ampliar programas de “intercâmbio acadêmico” etc. Podemos ver um exemplo dessa política nesse trecho:

As universidades enterraram as emoções, e seus membros buscaram opiniões ‘equilibradas’. Os antropólogos críticos documentaram numerosos antropólogos que se juntaram a outros cientistas sociais em empregos e projetos financiados por órgãos governamentais e não governamentais. Antropólogos trabalharam para a Agency For Internacional Development (AID), para a CIA, para a Advenced Research Projects Agency (ARPA) do Departamento de Defesa (...) e outras agências governamentais (Nader apud Lessa, 2013, p.60) [2]

Embora a CIA, na maioria dos casos, usasse ONG’s ou agências de financiamento a pesquisa, como a Fundação Ford e a Fundação Rockfeller, é de notório conhecimento há décadas essas linhas cruzadas de financiamento e muitas delas, inclusive, são de domínio público – o colonialismo cultural é tão forte hoje que não é mais chocante o departamento de Estado dos EUA influir diretamente na formatação dos programas de pesquisa das pós-graduações brasileiras via financiamentos através de programas de “cooperação acadêmica”; os nossos amigos de consciência ingênua, infelizmente, nunca se perguntam porque o reverso da moeda nunca acontece.

Esse padrão de ação da CIA, fartamente documentado e analisado, nos permite tomar como premissa que nesse momento, enquanto escrevemos essas linhas, a CIA continua atuando. A premissa se sustenta na simples constatação lógica na base da dinâmica real: a necessidade política imposta pela luta de classe do imperialismo manter as classes subalternas no limite da ordem e extirpar qualquer tipo de perspectiva revolucionária continua sendo uma necessidade objetiva de sobrevivência do imperialismo. Isso não significa que caso queiramos estudar concretamente um exemplo da política cultural da CIA num país ou numa instituição, estamos desobrigados a conseguir as provas necessárias a demonstrar essa ação. A premissa, mesmo correta, dado que ancorada numa análise histórica crítica, não anula a necessidade da comprovação empírica.

Análise histórica, explicação teórica do fenômeno e comprovação empírica ou factual se completam no fazer pesquisa sobre determinado processo social. O grande problema, porém, é que a CIA não é a vizinha fofoqueira da esquina e a maioria de suas ações são secretas e o tamanho e a dimensão de sua estrutura não é totalmente conhecida pelo público porque um dos fundamentos dos aparelhos de serviço secreto é o “Segredo de Estado” como essencial à “segurança nacional” (no Brasil não sabemos quem é agente da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN –, por exemplo).  Pesquisar no terreno vivo da conjuntura, no aqui e agora, as ações do imperialismo através dos seus aparelhos de serviço secreto exige um esforço gigantesco na aquisição de provas e um papel maior da análise histórica na busca de encontrar um padrão de ação próxima da trama conjuntural e maior relevo da dedução; esse tipo de operação teórica, é lógico, envolve grandes riscos e pode induzir a erros,  especialmente quando se crê, por exemplo, que a CIA usa as mesmas técnicas em golpes de Estado que as praticadas nos anos 50. Isso induz a imaginar sempre golpes de Estado como golpe militar e não conseguir perceber o papel das chamadas “revoluções coloridas” na estratégia do imperialismo, levando a tristes e esdrúxulos episódios como organizações socialistas brasileiras saudarem levantes fascistas na Ucrânia ou pedir armas para o imperialismo na Síria – como se o complexo industrial-militar não desse conta de produzir todas as armas que precisa.

Contudo, é uma tentativa necessária. É impossível julgar corretamente a correlação de forças sem perceber o nível e a forma de relação dos monopólios capitalistas e do imperialismo estadunidense na luta de classe em escala global e em cada país em particular. Como, mesmo com as dificuldades, produzir uma análise crítica e que capte a realidade? Não existe uma fórmula a priori que garanta o sucesso da análise. Só uma crítica da investigação com base na observação histórica, fundamentos teóricos e dos dados disponíveis combinado com o acompanhamento sistemático do próprio desenrolar da conjuntura é que pode afirmar se o diagnóstico está correto ou não.

Mas o que fazem os nossos amigos que sempre dizem que tudo é teoria da conspiração? Se recusam a qualquer tipo de pesquisa e investigação séria, dão as costas a qualquer prova e argumento e se agarram a sua “explicação conspirativa” tal como José Sarney é agarrado ao Estado burguês. Sempre dispostos a duvidar até da existência do imperialismo – afinal, estamos numa era pós-moderna - esses senhores não creem, por exemplo, que existe uma “guerra econômica” operada pela classe dominante “interna” da Venezuela e pelo imperialismo, afinal, foi o “Governo” quem disse, mas creem, como um fundamentalista religioso, nas versões do The New York Times, The Economist, CNN, El País, The Wall Street Journal, etc.

O inglês é uma espécie de som hipnotizador para seus ouvidos. De pronto cobram coerência da esquerda e a condenação da “violação dos direitos humanos e da democracia” em Cuba, Coreia do Norte ou Venezuela (esperar um debate sobre os conceitos de democracia e direitos humanos desses senhores é demais) e repudiam o autoritarismo – esse conceito supremo da “obra” de Fernando Henrique Cardoso. No mundo capitalista, tudo é mercantilizado e monetarizado, mas a ideologia dominante consegue imbecis que atuam como polos reprodutores do seu programa político sem receber absolutamente nada: é a era da vassalagem gratuita.

Em datas comemorativas, como o 11 de setembro ou 1 de abril, lembram do golpe de Estado que derrubou Allende e a Unidade Popular no Chile e Jango e o Trabalhismo no Brasil. A história para esses senhores é como batatas amontoadas num saco: um mero saco de batatadas. Incapaz de compreender os processos históricos, aprender o sentido dos “acontecimentos”, acumulam datas e “narrativas” como se fossem histórias infantis e falam de golpes de Estado como o do Chile como um passado distante, uma realidade medieval, quase as Crônicas de Nárnia: a era do golpismo é passado, afinal, a Guerra Fria acabou!

Julian Assange pode arriscar sua vida para revelar documentos secretos à vontade, e Eward Snowden desnudar partes significativas da rede mundial de espionagem da NSA (outra agência de inteligência e espionagem dos EUA), Bush mentir com a conveniência da CIA, FBI, Departamento de Estado, Senado e Forças Armadas dos EUA sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque, acontecer golpes de Estado com escancarada participação do imperialismo na Venezuela em 2002, Honduras em 2009, Paraguai em 2012, Haiti 2004 e a falsificação eleitoral no México; nada disso atrapalhará as certas firmes como as rochas do Himalaia de nossos arrogantes ingênuos.

Sou muito tentado a responder a esse tipo de arrogante ingênuo com apenas um sorriso de canto de boca e o total desprezo, mas, na batalha das ideias, temos que disputar todas as consciências dos que não sejam da classe dominante. Contudo, adianto que é necessária toda paciência do mundo para travar esse tipo de debate, posto que, os sujeitos que reproduzem esse tipo de “raciocínio”, embora totalmente controlados pela ideologia dominante, se acham o ápice do livre-pensar e quando não citam algum capítulo ou versículo de Nietzsche para mostrar o quanto são “espíritos livres”.

Já com organizações políticas que reproduzem esse tipo de “lógica”, o conselho é outro, mas por questões de polidez política terei que dizê-lo de forma indireta: a organização que não consegue avançar minimamente na superação de aspectos básicos da ideologia dominante nunca será capaz de oferecer um programa político com potencialidades reais de superação da ordem do capital e estará condenada à lata do lixo da História, e no lixo, até onde sei, só vivem vermes, ratos e baratas.

[2] – Capital e Estado de bem-estar social – Sérgio Lessa, Instituto Lukács.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Precisamos falar sobre a unidade

Lula, FHC e cia
Recentemente, o site do jornal Brasil de Fato publicou um texto interessante do Levante Popular da Juventude (LPJ) buscando justificar o fim do Campo Popular e união com a UJS na composição para direção da UNE [1]. Não queremos debater a pífia justificativa do Levante Popular para essa aliança esdrúxula, já fizemos isso em outro texto [2]. Nosso objetivo é realizar uma pequena polêmica com a análise de conjuntura que serve de preâmbulo à parte central do texto. Nesse escrito, o LPJ afirma que com o golpe realizado contra Dilma a burguesia retomou o controle do aparelho do Estado e impõe uma agenda neoliberal de retirada de direitos.

Essa derrota, ainda segundo o texto, não é apenas do PT e das organizações que protagonizaram o último ciclo político, mas de toda a esquerda e do povo brasileiro. Agora, como a classe dominante voltou a deter o poder de Estado, seu objetivo estratégico é aniquilar física e politicamente as organizações da esquerda brasileira e qualquer possibilidade de atuação política dos de baixo. O trecho a seguir é sintomático do raciocínio:
É isso que está em jogo com a criminalização de lideranças populares, a exemplo do Lula e militantes dos movimentos populares, de partidos políticos, como PT, dos movimentos populares e sindicais. A Reforma Trabalhista além de retirar direitos básicos, destrói a organização sindical no Brasil, empunhando um golpe brutal na resistência sindical e popular.

O que fazer então nessa situação onde a burguesia parte para o aniquilamento das organizações populares e forças de esquerda? O texto do LPJ responde que é garantir a máxima unidade contra o golpe, uma frente ampla “contra a retirada de direitos e ao desmonte do Estado devem compor uma frente ampla para fazer o enfrentamento ao inimigo principal”. Esse “inimigo principal”, claro está, são as forças golpistas que impulsionam essa agenda neoliberal.

Os objetivos desse inimigo principal? “Se pudéssemos sintetizar esse momento numa imagem seria a de um cerco em que o inimigo avança em direção ao nosso aniquilamento, indistintamente”. A unidade popular, materializada na Frente Brasil Popular, seria a resposta política adequada à essa guerra de classe da burguesia. Na lógica dessa análise, a unidade não é uma opção, mas uma necessidade objetiva do momento político. Sintetizada a análise de conjuntura, podemos realizar alguns apontamentos.

Primeiro, a burguesia brasileira nunca perdeu o poder de Estado! Um dos principais sintomas do oportunismo político institucionalista é confundir governo com poder de Estado. A classe trabalhadora nunca esteve no poder no Brasil. Essa sentença, por si só óbvia para qualquer marxista, parece escapar a reflexão do LPJ. Na época dos governos de colaboração de classe do PT o que vivemos foi um ciclo político onde algumas demandas das classes subalternas recebiam maior acolhida nos aparelhos do Estado desde que não violassem qualquer interesse fundamental das frações da classe dominante.  Estamos cansados de saber que no ciclo do PT não houve nenhuma reforma estrutural. Bancos, latifúndio, empreiteiras, monopólios nacionais e internacionais, grandes industriais, monopólios da comunicação etc. ganharam dinheiro como “nunca antes na história desse país”.

Confundir o fim da conciliação de classe, fim dado pela burguesia e não pelas organizações de “esquerda” lideradas pelo PT, com uma retomada do poder político pela burguesia se configura como uma cegueira teórico-política assustadora. Evidentemente, esse tipo de “análise” deve excluir do seu horizonte os elementos de continuidade entre a agenda neoliberal do ciclo do PT, especialmente do último governo Dilma, e do governo golpista – quem fala em elementos de continuidade não nega as diferenças.

Quem criou os grandes monopólios capitalistas na educação não foi Temer, FHC ou Sarney, mas o ciclo do PT! Paradoxalmente, algo quase engraçado se não fosse seu caráter trágico, Mendonça Filho no Ministério da Educação é uma consequência direta da política petista de violento financiamento à educação privada.

A ofensiva burguesa operada pelo Governo Temer e a criminalização dos motivos sociais e organizações de esquerda é algo evidente e não podemos discordar da reflexão do LPJ. Mas não deixa de ser sintomático o exemplo máximo dessa criminalização: a perseguição à Lula. De nossa parte, consideramos a expressão máxima dessa criminalização a maior onda de militarização da vida social desde o fim da ditatura empresarial-militar tendo como grande marco a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio (UPP), a criação da Lei Antiterrorismo e o uso crescente da Lei de Segurança Nacional. Sem negar a gravidade da perseguição política ao ex-presidente, não nos parece factível considerar “menos grave” o uso do Exército contra 200 mil pessoas, como no Complexo do Alemão.

Contudo, é evidente que o LPJ não focará em expressões como essa da criminalização da luta popular. Afinal, a UPP é uma cria da associação PT/PMDB na gestão do Governo Federal e municipal e estadual do Rio de Janeiro, por exemplo. Agora podemos nos deter no elemento central do texto: a questão da unidade. O escrito do LPJ diz que temos uma derrota estratégica. Que estratégia foi derrotada? A ilusão da possibilidade de um eterno ciclo crescimento econômico com redução da desigualdade social sem enfrentar qualquer interesse das classes dominantes mediado por um Estado democrático, sem conteúdo de classe, que garantiria o interesse geral de todo povo.   

Essa estratégia petista, e sua lógica política, faliu em 2016. A classe dominante acabou com a colaboração de classe a partiu para uma ofensiva político-econômica sem precedentes. Os outrora “progressistas” ministros e apoiadores dos governos do PT, como o Senador Armando Monteiro, candidato ao governo do estado de Pernambuco em aliança com PT e PDT em 2014, buscam nada mais que retroceder direitos trabalhistas e sociais aos níveis pré-Revolução de 30. Nesse momento, a consequência lógica, é nessa unidade necessária – sim, concordamos nisso, a unidade é mais que necessária! – Combater as permanências da estratégia falida de conciliação de classe, correto? Na lógica do LPJ e do campo democrático-popular não.

No último congresso do PT o resultado foi a manutenção intacta da mesma estratégia política adotada a partir de 1995. A mesma que sofreu a falada derrota estratégica em 2016! A principal liderança do PT, Lula, mantém o mesmo programa desenvolvimentista de crescimento econômico com redução das desigualdades sem atacar qualquer contradição fundamental do capitalismo dependente brasileiro. Recentemente, PT e PSDB, através de suas fundações de pesquisa, anunciaram programas conjuntos de estudos para resolver os problemas do Brasil.

Flávio Dino, governador do Maranhão pelo PCdoB, e um dos principais líderes desse partido, afirmou que uma aliança entre Lula e FHC seria o melhor para estabilizar o país, suspendendo a agenda neoliberal e esperando até 2018 para as urnas decidirem se querem ou não esses retrocessos (!!!). O PCdoB, e seu braço jovem, a UJS, apontam a necessidade de “diretas já!”, mas desde agora sinalizam que caso as diretas sejam derrotas, vão sim participar de uma possível eleição indireta no Colégio Eleitoral.

O “Manifesto Brasil Nação”, iniciativa do ex-tucano Bresser-Pereira, que conta com apoio do LPJ, defende um novo pacto entre os de baixo e os dominantes contra o “rentismo”, pelo crescimento do Brasil. Bresser-Pereira, inclusive, esteve no congresso da UNE ao lado de Ciro Gomes, e ao apresentar seu projeto, colocou cinco eixos fundamentais: a) O país precisa ter "responsabilidade fiscal"; b) Taxa de câmbio competitiva que estimula exportações; c)  Redução da taxa de juros para aumentar as possibilidades de "investimento produtivo"; d)  Investimento privado como alavanca do crescimento econômico, tendo o investimento público um papel secundário; e)  Reforma tributária como forma de taxar mais "os ricos" [3].

Não é preciso ser economista ou grande teórico para perceber que esse programa econômico pode ser e é defendido pela Fiesp e CNI, duas das principais entidades empresariais do país, e não contém propostas como reforma agrária, reforma urbana, democratização da mídia, lei de remessa de lucros etc. É mais do mesmo da conciliação de classe neo-desenvolvimentista. O próprio Bresser afirma, na matéria publicada no site da UNE, que apresentou o projeto “Brasil Nação” ao tucano Geraldo Alckmin e aguarda resposta. Se esse é o momento de unidade máxima contra o golpe, como umas das principais lideranças do PSDB pode ser convidado a apoiar um projeto também apoiado pelo LPJ e outras forças do campo democrático-popular?

A reflexão do LPJ exclui do cenário a qualificação dos termos dessa unidade. O PCdoB, por exemplo, está em aliança em várias cidades e estados com os partidos golpistas – como no próprio Maranhão do Flávio Dino. A JSB, a juventude do PSB, um dos partidos articuladores do golpe, agora está no mesmo campo da UNE que o LPJ. Como fazer a máxima unidade contra o golpe mantendo uma política de alianças com organizações golpistas? Como lutar contra o golpe buscando repactuar um novo projeto de crescimento capitalista com a mesma burguesia que operou o golpe? A ausência de qualificação dessa unidade é uma hábil forma de não enfrentar uma questão central: a burguesia rompeu a conciliação de classe e o campo democrático-popular busca reeditá-lo. O inimigo do cerco, àquele que tenta aniquilar, é o mesmo que se busca uma nova aliança para um Lula ou Ciro em 2018.

Na prática efetiva da política, além dos discursos, a máxima unidade contra a agenda acelerada e intensificada com o golpe, só pode ser derrotada com um novo radicalismo político que nega a prática da colaboração de classe e que coloque os interesses fundamentais dos trabalhadores não num novo ciclo de crescimento econômico capitalista, mas nos enfrentamentos ao poder político, econômico e cultural dos diversos setores da classe dominante. Não é possível lutar contra o golpe e buscar alianças com Renan Calheiros, Armando Monteiro e os burgueses da Fiesp.

A máxima unidade nas ruas das diversas organizações que se colocam no campo de esquerda, algo imprescindível, não deve ocultar a necessidade de um campo classista e combativo que negue dormir com o inimigo e conciliar o inconciliável. O campo da esquerda socialista não nega a unidade, ao contrário, o que ela busca é um critério dessa unidade: o critério do questionamento dos interesses dominantes, afinal, quando o inimigo está nos cercando, a melhor defesa é o ataque.

[1] – https://www.brasildefato.com.br/2017/06/19/opiniao-or-levante-popular-da-juventude-a-unidade-necessaria-para-derrotar-o-golpe/
[2] –http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2017/06/a-politica-dos-cargos-o-triste-fim-do.html
[3] –http://bhaz.com.br/2017/06/16/manifesto-brasil-nacao/