segunda-feira, 22 de junho de 2015

Novo "acordo" entre Syriza e União Europeia: a capitulação em movimento


Enquanto torcia pela Venezuela, na Copa América, tive a informação de que o governo da "Esquerda Radical", na Grécia, fechou o documento para continuar as medidas de austeridade num acordo com a União Européia (UE). Tsipras, líder do Syriza, afirmou que ""apresentou aos três líderes a proposta grega para um acordo mutuamente beneficente, que dê uma solução definitiva e não um adiamento para o problema"". Que proposta mutuamente beneficente é essa? Significa: cotar aposentadorias, reduzir pensões e aumentar impostos (sobre a classe trabalhadora e as camadas médias). Só o corte de pensões geraria 200 milhões de euros em "economia". O que o governo da "Esquerda Radical" quer em troca? Um plano de reestruturação da dívida pública (ou seja: mais tempo e juros menores para continuar PAGANDO A DÍVIDA) e maior flexibilidade fiscal (ou seja: poder dispor de um orçamento mínimo para programas sociais focalizados e compensatórios, tipo o Bolsa-família).

O que fica claro é que a proposta do Syriza se resume a continuar a política pró-monopólios de austeridade, mas num ritmo menos violento e usando programas sociais mínimos. Com essa ideologia, a função do Syriza é clara: enquanto na Grécia milhões foram às ruas nos últimos dias contra o novo "acordo" imposto pela Troika e milhares na Europa deram apoio ao Syriza - com 250 mil pessoas em Londres dando apoio à "Esquerda Radical" -, o partido busca um novo "acordo" que diz ser "mutuamente beneficente", como se nesse jogo político os monopólios e os trabalhadores pudessem ganhar igualmente (o velho discurso social-democrata da união entre capital e trabalho). Cada dia fica mais claro que o Syriza vem se colocando como um gerente das contradições sociais mais explosivas do capitalismo grego, mas sem propor uma reorientação radical na política econômica e social. Tsipras combina discursos ácidos, agressivos e viris com uma prática política que realiza um recuo, depois outro, depois outro...

Nessas horas, os companheiros que defendem o Syriza, como a turma do PSOL, afirma que sair da UE é impossível pois cerca de 50% da população do país ser a favor de manter-se no bloco. Quem cita esses dados nunca parou para pensar que esses números podem ter haver com o fato de que o Syriza, nos últimos quatro anos, vem sustentando o discurso (completamente falso) de que é possível destruir a austeridade dentro da União Europeia e que o bloco é bom, só precisa ser democratizado (a velha perspectiva pequeno-burguesa que quer "mudar as coisas" sem mexer nas relações de produção, apenas injetando mais "democracia").

Como o Partido Comunista Grego (KKE) demonstrou, a estrutura da União Europeia é totalmente monopólica. É uma reunião de economias nacionais submetidas ao controle dos monopólios e dos países centrais do imperialismo europeu. Uma ruptura radical com a austeridade só é possível rompendo com a UE, recuperando os mecanismos de controle da economia nacional e criando um plano de desenvolvimento que reverta toda a tragédia social criada na Grécia. O "humanismo teórico" de Tsipras e do Syriza que quer combater a "crise humanitária" do país é uma forma de não dizer onde se esconde o verdadeiro problema: o domínio político e econômico dos monopólios (principalmente da Alemanha e França) sobre o continente europeu. Fora disso tudo é ilusão (o discurso do Syriza que o problema não está na economia, mas na falta de democracia, na necessidade de recuperação da cidadania ativa, é o mesmo do Podemos da Espanha. Passou da hora de sermos mais críticos a essas concepções politicistas).

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