quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A greve dos bancários e a função do PT na luta de classes:



Rosa Luxemburgo, uma das maiores teóricas e militantes que o movimento comunista já teve, nos esclareceu, em sua polêmica com a ala direitista da social-democracia, que o projeto reformista, de conciliação de classe, traz, como elemento indispensável, um rebaixamento teórico (abandono da teoria revolucionária) e de nível de consciência dos trabalhadores/as e movimentos sociais. Não à toa os principais nomes do revisionismo abandonaram a dialética (e substituíram por Kant ou o positivismo), passaram a adotar teorias econômicas não marxistas (keynesianismo, economia neoclássica etc.) e uma teoria política institucionalista e um foco de análise não-classista. Todo projeto reformista, em qualquer época histórica e formação social, com conteúdos diferentes, é claro, toma a mesma posição: a direção reformista precisa expurgar a teoria revolucionária para controlar a "base".

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Zygmunt Bauman não conhece o Brasil

O sociólogo polonês Z. Bauman, famoso por seus livros sobre "modernidade líquida", disse, em sua passagem pelo Brasil, que vivemos um "milagre inacabado", e que os governos do mundo precisam aprender conosco como tirar "22 milhões de pessoas da pobreza", pois estamos reduzindo a desigualdade [social] e no "caminho certo". Bauman, assim como vários "intelectuais" contemporâneos, confunde redução da miséria e pobreza absolutas com redução da desigualdade. Senão vejamos. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Despotismo eletivo: os sigilos do governo Alckmin e a essência da democracia burguesa.

A teoria democrática dominante, de base positivista e institucionalista, postula que a democracia consiste numa série de regras formais, iguais para todos, criadas por representantes legítimos escolhidos através de processo eleitoral, onde grupos sociais disputam o poder através de eleições periódicas (e todos respeitam o resultado das eleições). Esses grupos e indivíduos, expressos em partidos, representam a sociedade exercendo cargos eletivos, periodicamente renováveis. Através do processo eleitoral, fundamentado em regras eleitorais claras e invioláveis, escolhemos quem governa, e eles, enquanto nossos representantes, dizem durante a campanha eleitoral como pretendem governar; a partir disso, segundo a teoria dominante, escolhemos, ainda que de forma indireta, como a “sociedade” será governada. Essa visão tem vários problemas. Nesse texto quero destacar apenas um: um dos principais pressupostos desse esquema é que os representantes realmente irão representar os representados, mas, nada na própria organização institucional do sistema representativo garante isso. Senão vejamos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A dialética da conciliação de classe ou como destruir uma base de massas



Um partido de origem popular e operária se consolida no Brasil nos anos 80. Esse partido, o Partido dos Trabalhadores, aposta na mobilização de massa (greves, passeatas, protestos, ocupações de órgãos públicos, etc.) como forma de tornar seu projeto o hegemônico no seio das classes exploradas e lograr ocupar o maior número possível de cargos no aparato do Estado acreditando ser possível democratizá-lo ao máximo até que ele seja um instrumento da transição socialista. 

Durante a trajetória política do PT, quando a institucionalidade passou a ser prioridade absoluta, o partido ostentava um diferencial que a maioria dos partidos burgueses não têm: uma adesão dos movimentos sociais, da classe trabalhadora organizada e das massas populares que representava seu diferencial na política. Enquanto o PSDB, PMDB ou DEM precisavam pagar pessoas como cabos-eleitorais na época da eleição o PT tinha milhares de seres humanos que se entregavam de corpo e alma àquele projeto sem precisar receber nada em troca. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Leon Trotski defenderia a Coréia do Norte?




O objetivo desse texto é demonstrar que a partir da teoria do Estado operário burocratizado, criada por Leon Trotski para pensar a conjuntura e a sociedade soviética na transição socialista do início dos anos 20, é coerente defender a Coréia do Norte – o nome verdadeiro é República Democrática Popular da Coréia – dos ataques do imperialismo e destacar as conquistas produzidas pela expropriação da burguesia. Os trotskistas que simplesmente ignoram o país asiático ou chamam de “capitalismo de estado” ou “monarquia stalinista” além de demonstrarem total incapacidade de apreensão da realidade estão fugindo do legado teórico e político de Trotski.

sábado, 10 de outubro de 2015

As antinomias de Carlos Nelson Coutinho: sobre a democracia e o socialismo em sua obra.

A proposta democrático-socialista.

A relação entre socialismo e democracia sempre foi um tema caro ao marxismo. Desde Marx e Engels passando por seus melhores continuadores. O desenvolvimento do socialismo soviético, o stalinismo, o reformismo liberal-imperialista da socialdemocracia e os desafios do movimento operário nos países centrais e periféricos do capitalismo colocaram, durante o século XX, vários desafios para o ciclo do chamado “comunismo histórico”[1]. Questões como: qual o papel da democracia na transição e consolidação socialista, qual a estratégia para tomada do poder, como conservar o poder, como evitar uma contrarrevolução pela burguesia, etc. foram temas que obtiveram diversas respostas do “comunismo histórico” e muitas dessas questões ainda nos são colocadas.